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MASCULINO + FEMININO: A SOLUÇÃO PARA DISCURSOS EXTREMOS


Por que integrar o feminino e o masculino é a evolução do discurso em voga?

O QUE DEU LIGA:

- o empoderamento feminino está morto; viva o novo empoderamento feminino! - o início do fim da cultura do patriarcado, que não oprime só as mulheres, mas também os homens: ela impõe papeis muito rígidos a ambos os sexos e faz cada vez menos sentido numa sociedade plural e livre; - o homem precisa se desenvolver em um novo cenário em que o machismo não tem mais vez: igualdade de gêneros na prática, cada vez mais urgente; - fim da dicotomia homem-forte x mulher-frágil: homens e mulheres carregam todas as características em si mesmos e não por conta dos gêneros pelos quais escolhem se expressar; - homens e mulheres não são o complemento um do outro: cada indivíduo é completo em si mesmo e carrega o feminino e o masculino em sua constituição; - como integrar o masculino e o feminino em prol de uma evolução real da sociedade Por que nos inspirou?

Aqui na LIGA, entrevistamos muitas mulheres, trabalhamos com diversas marcas voltadas para o público feminino e estávamos sentindo falta de pensar sobre o tema do empoderamento feminino sob novas perspectivas. Com o discurso feminista ganhando cada vez mais voz e mais tom, há quem acredite que ele se tornou muito radical – nós acreditamos que ele nunca foi tão necessário. Mas é importante que o discurso também incorpore o diálogo, algo tão em falta na nossa sociedade hoje: e é justamente nesse diálogo, nessa conexão que acreditamos que está a evolução do discurso de gênero em prol de uma melhor convivência entre homens e mulheres e da igualdade que tanto buscamos.

O ser humano é um ser relacional – isto é, ele é impactado pelo contexto, expectativas e atitudes do meio. A sociedade foi estimulando nos meninos os comportamentos considerados masculinos e nas meninas os comportamentos complementares. Quantas vezes já se ouviu frases como as de que homem não chora? Em contraste, a mulher deveria chorar por dois.

Isso criou papéis sociais para homens e mulheres que não representam as vontades pessoais desses mesmos homens e mulheres e gerou uma infinidade de problemas para nós tanto na esfera social, quanto na pessoal: o condicionamento aprisiona as pessoas em estereótipos. Existe uma ideia de que homem e mulher seriam metades complementares, quando, na verdade, as pessoas são inteiras. Há um enaltecimento da dicotomia da “tampa da panela” que faz menos sentido nos dias de hoje – se algum. Não precisamos de tampas, precisamos ter nossas autenticidades e legitimidades respeitadas e aceitas. A máscara do macho

Embora o patriarcado seja o modelo dominante em muitas sociedades, é preciso lembrar que nem sempre foi assim ou que ainda há sociedades em que o matriarcado é o modelo dominante: no País Basco, por exemplo, são as mulheres que têm o papel central da família, a ela é quem cabe o comando. O modelo de patriarcado como disseminado na sociedade hoje não oprime só as mulheres, mas também os homens. Os homens, muitas vezes, sufocam sua afetividade e sensibilidade. A fim de dominar a mulher, o homem teve que romper sua relação com o feminino. Para assumir um papel de controle e comando, o homem teve que romper e se opor ao feminino, visto como mais frágil. Este modelo modelo traz danos a todos, inclusive ao homem. Se a mulher é a principal vítima dessa hegemonia do patriarcado, o homem precisa entender que ele também sofre os danos desse modelo.

Para abordar esse tema, a documentarista Jennifer Siebel Newsom resolveu dirigir um filme a respeito. Conhecida pelo seu trabalho em “Miss Representation”, que fala sobre a falta de representação das mulheres em posições de poder, ela lançou em 2016 o documentário “The Mask You Live In” (“A Máscara em que Você Vive”, disponível no Netflix), em que aborda como a ideia do macho dominante afeta psicologicamente homens crianças, jovens e adultos nos Estados Unidos. Os homens, desde quando nascem, são obrigados a usar a máscara do macho: dominante, bruto, prático, pragmático. Não lhes é dado o direito de se conectar com o seu lado feminino. Todo nós temos nosso lado feminino e nosso lado masculino – e isso pouco tem a ver com gênero tampouco com sexualidade. De acordo com a psicologia analítica, há termos cunhados para isso – e introduzidos por Jung: anima e animus indicam a imagem da alma de um indivíduo, respectivamente feminina e masculina. Eles simbolizam a característica contrassexual de cada um de nós, partindo do princípio da complementariedade, através do qual a nossa psique se move.

É da busca do equilíbrio entre feminino e masculino/anima e animus dentro de nós que podemos ser pessoas mais completas, que sabem lançar mão das características e das forças de um e do outro lado quando necessário. Há um desequilíbrio quando um desses lados é sufocado, deixado de lado, algo que, como sociedade, deixamos acontecer no decorrer dos anos. A mulher foi confinada ao espaço privado por muitos anos. Enquanto isso, o homem construía o mundo, o espaço social, político e econômico. Por isso, hoje estamos padecendo do excesso do princípio masculino em relação ao princípio feminino. No significado dos termos anima/animus, o mundo aflorou o segundo em detrimento ao primeiro e nós nos desenvolvemos muito do ponto de vista tecnológico e pragmático (animus), mas carecemos de solidariedade e afeto (anima). O resgate do feminino é imprescindível para a busca do equilíbrio social.

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NOSSA LINHA DE RACIOCÍNIO

- O movimento feminista, ainda que visto como radical por alguns, é fundamental e necessário na nossa sociedade hoje, justamente em busca de um equilíbrio. Se por tanto tempo o machismo predominou na nossa sociedade, é preciso combatê-lo para que tenhamos um equilíbrio: a urgente equidade de gêneros. - A Teoria da Curvatura da Vara, até hoje considerada válida em muitas áreas, foi cunhada por Lênin ao ser criticado por assumir posições extremistas e radicais. Lênin dizia o seguinte: “quando a vara está torta, ela fica curva de um lado e se você quiser endireitá-la, não basta colocá-la na posição correta. É preciso curvá-la para o lado oposto”: talvez ajude a elucidar a ideia de que precisamos que a vara penda para o outro lado agora (feminismo) para que possamos ter um equilíbrio da sociedade em um futuro – que esperamos que seja próximo.

- O empoderamento feminino, apesar de um termo que se perdeu por conta de alguns discursos carregados, precisa ser encarnado por homens e mulheres hoje em prol de uma igualdade de gênero não apenas ideal, mas imprescindível nos dias de hoje. Já não dá mais pra aceitar que homens tenham uma representatividade maior na sociedade civil, e que as mulheres ainda sofram sob o domínio do machismo. Movimentos como #metoo e #agoraquesãoelas, por exemplo, trouxeram essa discussão urgente à tona, e mudaram nossa forma de pensar a sociedade. Vamos evoluir para um futuro e que vamos olhar pra trás e ver com a mesma descrença as mulheres terem tido salários menores por tanto tempo quanto, por exemplo, dirigimos sem cinto de segurança ou fumamos em espaços fechados. - Num mundo tão plural, tão dividido em extremos, as pessoas sentem falta de um olhar mais sistêmico que compreenda as pessoas independentemente do gênero ou de orientação sexual. Precisamos enxergar as pessoas como indivíduos, livres e completos em si, integrando seus lados feminino e masculino. - Vivemos um momento em que a mulher deve resgatar seu lado feminino, assim como o homem, que precisa se livrar de sua máscara de macho para se conectar com ele. Para isso, ambos precisam encarar seus próprios antagonismos.

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NOSSA “MORAL DA HISTÓRIA”

O equilíbrio dos papeis do homem e da mulher surge primeiro no indivíduo: um olhar de reconhecimento e de autoconsciência de que ele possui, sim, os dois lados e convive com ambos dentro de si. Assim como o equilíbrio entre “razão” e “emoção” são imprescindíveis para nossa felicidade, a busca de um balanço entre “animus” e “anima” também são determinantes para nos estabelecermos e nos colocarmos diante do mundo de uma maneira mais completa, livre e sem máscaras – que a sociedade nos obriga a usar. Hoje vivemos um mundo de mais conquistas individuais, de singularidades, onde a escolha pessoal (sexual, gênero, política, de objetivos de vida) passa a ser cada vez mais aceita e, assim, respeitada. Dessa forma, a dicotomia homem/mulher e a cultura vigente por anos de que ambos se completam perde força. Como indivíduos completos, nos complementamos, o que é diferente.

Com isso, a liberdade pode ser vivida de forma mais plena: a mulher pode escolher o papel social que quer se

guir – ser ou não mãe, se casar ou não, buscar uma carreira bem sucedida, enfim, encontrar seu papel na sociedade com as mesmas oportunidades que o homem e sem ser julgada por isso. Da mesma forma, o homem pode se livrar das máscaras e conduzir também a sua vida com a liberdade que deseja e sem o peso imposto por isso. Os valores masculinos e femininos precisam ser compreendidos e valorizados, sim, mas sem que eles determinem atitudes ou comportamentos pré-estabelecidos. Numa sociedade cada vez mais livre de gênero, masculino e feminino tendem a ser entendidos mais como valores e características do que como papeis sociais. Para sermos mais completos, precisamos ser mais fluidos. Toda rigidez e, em consequência, todo radicalismo não nos permitem evoluir como indivíduos e sociedade. Sabemos que esses movimentos todos vão nos trazer uma abertura que ainda não conhecemos e que ainda está sendo descoberta... mas que tendem a possibilitar um salto na evolução da humanidade como um todo, ainda que também estabeleça ganhos individuais inexoráveis para cada um de nós. Aquela história de que ganha um, ganham todos, sabe?


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